segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Arte Mesopotâmica

Teocráticas e absolutistas, as civilizações mesopotâmicas produziram manifestações artísticas subordinadas aos interesses
do estado e da religião, o que não impediu a criação de formas expressivas de grande originalidade e valor estético





Três fatores contribuíram para caracterizar a arte e a arquitetura mesopotâmicas. Primeiro, a organização sociopolítica das cidades-estados sumérias e dos reinos e impérios que lhes sucederam. A guerra era uma constante preocupação dos governos das cobiçadas terras mesopotâmicas, razão pela qual grande parte da produção artística se voltava para a glorificação das vitórias militares. O segundo fator foi o importante papel desempenhado pela religião nos assuntos de estado. Dava-se especial importância às construções religiosas e a maioria das esculturas servia a fins espirituais. O último fator foi a influência exercida pelo meio ambiente. Em virtude da inexistência de pedra e madeira na planície aluvial, os escultores dependiam da importação desses materiais ou tinham que utilizar substitutos como a terracota.

A arquitetura também foi afetada pela necessidade de empregar o tijolo como material e por problemas técnicos na construção dos telhados, apenas em parte solucionados com a invenção da abóbada de tijolos no segundo milênio.


Ruínas da Babilônia, no Iraque; A cidade foi
fundada provavelmente por volta de 3800 a.C..

Poucas obras da arquitetura mesopotâmica sobreviveram ao tempo, ou por que na sua maioria eram construídas com tijolos de barro, ou devido as inúmeras guerras vividas pela região.


Relevo assírio representando o transporte
de cedro libanês (século VIII a.c.)

As principais estátuas da região da mesopotâmia representam homens em pé, e são chamadas de "oradores", onde destacam-se a face e principalmente os olhos. No entanto, os relevos foram a principal expressão artística da região, não só pelas características artísticas, mas para a compreensão da história e da religiosidade dos povos.

As principais manifestações da arquitetura mesopotâmica eram os palácios, em geral muito grandiosos; como havia pouca pedra, as paredes tinham que ser grossas, pois eram feitas de tijolos. Os templos possuíam instalações completas, com aposentos para os sacerdotes e outros compartimentos. Um traço característico dessa arquitetura era o “Zigurate”, torre de vários andares, em geral sete, sobre a qual havia uma capela, usada para observar o céu.


Guennol Lioness(Leoa de Guennol), uma figura de calcário de 8,3
centímetros de altura esculpida há 5 mil anos na Mesopotâmia.

Os escultores representavam o corpo humano de forma rígida, sem expressão de movimento e sem detalhes anatômicos. Pés, mãos e braços ficavam colados ao corpo, coberto com longos mantos; os olhos eram completados com esmalte brilhante. As estátuas conservavam sempre uma postura estática ante a grandiosidade dos deuses. As figuras esculpidas em baixo-relevo se caracterizavam por um grande realismo.

Na pintura os artistas se utilizavam de cores claras e reproduziam caçadas, batalhas e cenas da vida dos reis e dos deuses.


Estandarte de Ur, um dos mosaicos mais
antigos encontrados até os dias de hoje.

O "Estandarte de Ur"(3500 A.C), é considerado pela maioria dos historiadores como o mosaico mais antigo que se tem conhecimento.

Os sumérios empregaram a arte musiva(Mosaico) para decorar colunas e paredes. Eles usavam pequenos fragmentos esmaltados de cerâmica.


Colar de ouro mesopotâmico produzido
entre os séculos 17 e 16 a.C.

Na Mesopotâmia a ourivesaria era uma das atividades artísticas mais importantes. Estatuetas de cobre, colares e braceletes, assim como utensílios trabalhados em ouro e prata com incrustações de pedras eram muito comuns, e com estilos variados dada a diversidade de povos que ocupou a região.

Período Sumério

Arquitetura

A arquitetura monumental na Mesopotâmia surgiu juntamente com a fundação das cidades sumérias e a invenção da escrita, por volta de 3100 a.C. O templo sumério típico da época proto-histórica (período compreendido entre a pré-história e o surgimento dos primeiros documentos escritos) era construído em tijolos de barro sobre uma plataforma do mesmo material. O extenso santuário central era ladeado por duas câmaras, com um altar num extremo e uma mesa de sacrifícios no outro. Em geral, as paredes internas do templo eram decoradas com pinturas murais e com mosaicos feitos de cones de terracota, engastados no muro e pintados em cores vivas. Os tetos eram provavelmente planos.

Escultura

O culto religioso estimulou o desenvolvimento da escultura suméria. Muitas das figuras conservadas são estátuas votivas. Os homens estão quase sempre de pé ou sentados, com as mãos postas, em atitude de oração. Geralmente nus da cintura para cima, vestem uma saia com adornos em forma de pétalas superpostas, têm cabelos longos e barbas cerradas. O penteado das mulheres consiste, predominantemente, de um cacho de cabelos disposto verticalmente, de orelha a orelha, e um coque. Distinguem-se dois estilos sucessivos nesse período: o de Tall al-Asmar e o de um grupo importante originário da antiga capital, Mari. Os sumérios cultivaram também a escultura em metal, na qual alcançaram grande refinamento.

Os relevos de pedra foram um meio expressivo muito difundido entre os sumérios, embora, nesse primeiro período, seu estilo tenha sido muito convencional. Foram encontrados, entretanto, fragmentos de estelas mais audaciosas. A estela dos Abutres, conservada no Museu do Louvre, comemora uma vitória militar, mas tem conteúdo religioso. Em outra categoria estão os selos cilíndricos, que, gravados em pedra com grande delicadeza, representam uma das mais refinadas formas da arte suméria.

Período Acadiano

Sargão I, da Acádia, que reinou entre 2334 e 2279 a.C., unificou as cidades-estados sumérias e criou o primeiro império mesopotâmico. O novo conceito de poder monárquico se manifestou em grandiosas obras de arte de caráter laico, até então inéditas.

Arquitetura

A dinastia semita da Acádia se dedicou à reconstrução e ampliação de muitos templos sumérios, como o de Nippur. Construiu também palácios, como o de Tall al-Asmar, e fortalezas, como a de Tell Brak.

Escultura

Conservam-se duas notáveis cabeças de estátuas do período acadiano. Uma delas, em bronze, representa provavelmente Sargão (Museu do Iraque) e é considerada uma das obras-primas da arte antiga. A outra, em pedra, também integra o acervo do Museu do Iraque e procede de Bismaya. Quanto aos relevos, observa-se um aperfeiçoamento ainda maior, evidente na famosa estela de Naram-Sin, do Louvre. Em comparação com as poucas esculturas acadianas descobertas, encontrou-se grande variedade de selos cilíndricos, nos quais a técnica acadiana atingiu um nível de perfeição que não foi superado em épocas posteriores.

A dinastia acadiana acabou quando o vale foi conquistado pelas tribos bárbaras das montanhas persas. De todas as cidades mesopotâmicas, apenas Lagash parece ter permanecido fora do conflito e, sob seu famoso governador Gudéia, conseguiu dar continuidade à tradição artística mesopotâmica. A escultura desse período (por volta de 2100 a.C.) parece constituir uma espécie de reflorescimento póstumo da arte suméria. Um grupo de estátuas do governador e outros dignitários é conservado no Louvre e no Museu Britânico. A pedra é lavrada com grande mestria e a impressão de serena autoridade que emana dessas estátuas justifica sua inclusão entre as obras mais perfeitas da arte antiga do Oriente Médio.

Renascimento Sumério

Ao curto intervalo histórico representado pelas esculturas de Gudéia seguiu-se um renascimento sumério que durou quatro séculos e culminou com a unificação de todo o país sob o reinado de Hamurabi da Babilônia, no início do século XVIII a.C. Antes da implantação do império babilônico, os povos da antiga Suméria foram dominados pela terceira dinastia de Ur e pelos estados rivais de Isin e Larsa e voltaram às suas tradições pré-acadianas. Esse período caracterizou-se pelo avanço registrado no planejamento arquitetônico e na reconstrução de edifícios. No sul, surgiram os grandes zigurates, ou torres de diversos andares como as de Ur, Eridu, Kish e Uruk e Nippur. Os templos edificados ao nível do solo consistiam em uma entrada ladeada por torres, um pátio central, um vestíbulo interior e um santuário, todos alinhados longitudinalmente. Os melhores exemplos de palácios residenciais foram encontrados no norte, especialmente em Mari, onde um soberano chamado Zimri-Lim construiu um grande edifício com mais de 200 cômodos.

Período Assírio

Arquitetura. Assur, pequena cidade-estado suméria, começou a ganhar proeminência política no período anterior a Hamurabi. Na segunda metade do segundo milênio a.C., o poder da Assíria se estendeu pela maior parte da Mesopotâmia. O esplendor da arquitetura assíria não se manifestou antes do século IX, quando Assurnasirpal II transferiu sua capital para Nimrud. Os grandes palácios ressaltam o novo interesse pelos edifícios laicos e retratam a grandeza dos reis assírios. Construídos em geral sobre uma plataforma, têm portas ladeadas por colossais esculturas de pedra e aposentos decorados com relevos. Entre eles, vale citar os de Nimrud, Khorsabad e Nínive.

Escultura

O gênero de arte assíria mais característico eram as esculturas de portais, impressionantes figuras de guardiães (em geral, touros ou leões com cabeça humana) colocadas em ambos os lados de portais arqueados. Embora menos espetaculares, os relevos representam também um importante gênero de arte assíria. Os primeiros datam do século IX. Seu principal objetivo é a glorificação do rei: são muito comuns as cenas de conquista - que se distinguem pela vitalidade e pelas minúcias - e as cenas de caça, nas quais os animais são estudados e desenhados com muito cuidado. Um dos relevos mais conhecidos é o da "Leoa ferida", do Museu Britânico.

Período Neobabilônico

Durante os cinqüenta anos que se seguiram à queda de Nínive, no ano 612 a.C., registrou-se o último florescimento da cultura mesopotâmica no sul do Iraque, sob a última dinastia dos reis babilônicos. Nos reinados de Nabopolassar e de seu filho Nabucodonosor II, a atividade de construção foi muito intensa. A Babilônia se viu ampliada e cercada por uma dupla linha de fortificações. No interior da cidade, os edifícios públicos foram dispostos ao longo de uma alameda que conduzia, pelo centro da cidade, ao templo e ao zigurate de seu deus protetor, Marduk. As fachadas da famosa porta de Ishtar (Museu do Oriente Médio, Berlim), são decoradas com figuras de animais em ladrilhos esmaltados. Essa forma de decoração aparece também no pátio de honra do magnífico palácio do rei Nabucodonosor.

Fontes: Portal EmDiv / Brasil Escola / Sobre.com / História Net / Portal São Francisco


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► Arte Germânica

Um comentário:

π disse...

Muito bonitas as peças! Estava procurando boas referências sobre arte mesopotâmia! Obrigada!