quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Veneza: A Rainha do Adriático

Situada na região do Vêneto, no nordeste da Itália, e banhada pelo mar Adriático, Veneza foi construída sobre uma série de ilhas e se tornou uma das maiores potências marítimas da Idade Média, além de um importante centro de intercâmbio comercial e cultural com o Oriente




Surgimento de Veneza

Segundo a tradição, Veneza foi fundada em 421. A história de Veneza, tem início com a decadência do Império Romano do Ocidente. Os habitantes de Aquileia, Pádua e de outras cidades do Norte da Itália procuraram abrigo nas ilhas da lagoa veneziana, fugindo das tribos germânicas que invadiam a Península Itálica.

Quando se iniciou o povoamento da laguna, cada ilha era independente das suas vizinhas. Com o tempo as ilhas foram se aproximando. Foram construídas pontes e assoreados alguns canais de molde a dilatar a área de terra firme.

Todas as áreas de terra firme das ilhas foram ocupadas e a cidade precisava crescer. A saída foi então avançar sobre as águas que separavam as ilhas. Para isso, os venezianos desenvolveram um sistema para aterrar as áreas alagadas anexas às porções de terra e assim foram estreitando a distância entre as ilhas, delineando canais e ganhando espaço para abrigar povoamentos maiores.

Veneza permaneceu por séculos sob tutela do Império Bizantino. Ela estava inicialmente na fronteira com o Império Bizantino, funcionando como um centro de comércio e embarque de produtos através das lagunas e rios, sendo, então, um importante ponto de distribuição de mercadorias provenientes da Ásia.


O leão de São Marcos, símbolo de Veneza.

Nas primeiras décadas do século VIII, a população das lagoas elegeu seu primeiro líder, Orso Ipato, que foi confirmado por Bizâncio e recebeu os títulos de hypatus e doge (duque). Ele foi o primeiro Doge de Veneza segundo a história tradicional. As ilhas fizeram parte do Império Bizantino até o início do século 9, quando Veneza tornou-se independente.

O mar era a única riqueza da cidade, e foi pelo mar que partiram em busca das grandes rotas comerciais. Em 991 Veneza assinou um acordo com os muçulmanos, iniciando um proveitoso comércio com a Ásia.

Veneza tornou-se na porta de entrada da Europa das grandes rotas comerciais que atravessavam a Ásia, sendo o ponto de chegada da Rota da Seda, essa artéria onde pulsou o comércio medieval entre o longínquo Catai (China) e a Europa, onde se cruzavam cristãos, muçulmanos, judeus, chineses, mongóis, indianos, caravanas de camelos, cavalos e elefantes, transportando seda, especiarias e pedras preciosas, para além da cultura de todas as gentes e credos.

Expansão

No século X, a cidade tornava-se uma potência marítima e comercial. Estrategicamente localizada à beira do Mar Adriático, vizinha ao Império Bizantino, possuía uma das maiores frotas navais da Europa, excelentes navegadores e poderio militar.


A República de Veneza por volta do ano 1000.

Após o ano 1000, Veneza intensificou sua força naval, consolidando seu papel de intermediária entre a Ásia e a Europa. Expulsou os piratas que ocupavam a costa da Ístria e manteve a região sob seu domínio.

Na Alta Idade Média, Veneza se tornou muito rica mediante seu controle do comércio entre a Europa e o Levante, e começou a se expandir no Mar Adriático e além. Veneza se envolveu nas Cruzadas quase desde o início: 200 navios venezianos ajudaram na captura das cidades costeiras da Síria depois da Primeira Cruzada e, em 1123, garantiram autonomia virtual no Reino de Jerusalém através do Pactum Warmundi. Em 1110, Ordelafo Faliero comandou pessoalmente uma frota veneziana de 100 navios para assistir Balduíno I de Jerusalém na captura da cidade de Sidon.

No século XII, os venezianos também ganharam extensos privilégios comerciais no Império Bizantino e seus navios amiúde forneciam ao império uma armada. Em 1182, houve uma revolta antiocidental em Constantinopla, na qual os venezianos foram o principal alvo.

A frota veneziana foi crucial para o transporte da Quarta Cruzada, mas quando o cruzados não puderam pagar os navios, o astuto e manipulativo doge Henrique Dândolo rapidamente explorou a situação e ofereceu transporte aos cruzados se eles capturassem a cidade dálmata (cristã) de Zara (atual Zadar), que se tinha rebelado contra Veneza em 1183, se posto sob proteção dual da Santa Sé e do rei Emerico da Hungria e se tinha provado também bem fortificada demais para Veneza retomá-la sozinha. Além de cumprir esta condição, a cruzada foi de novo desviada para Constantinopla, a capital do Império Bizantino, então outro rival de Veneza. A cidade foi capturada e saqueada em 1204. O saque foi descrito como um dos mais trágicos e lucrativos na História.


Cavalos de São Marcos, trazidos como
botim de Constantinopla em 1204.

Os venezianos, que escoltaram a frota cruzada, reivindicaram muito do saque da cidade como pagamento, incluindo os famosos quatro cavalos de bronze trazidos para adornar a basílica de São Marcos. Como resultado da subsequente partição do Império Bizantino, Veneza ganhou alguns territórios estratégicos no Mar Egeu, incluindo as ilhas de Creta e Eubeia. As ilhas do Egeu (até então três-oitavos do Império Bizantino) formaram o novo Ducado do Arquipélago, sob controle veneziano.

Durante a Quarta Cruzada (1202-1204), Veneza adquiriu a posse das ilhas e das localidades marítimas comercialmente mais importantes do Império Bizantino. A conquista dos importantes portos de Corfu (1207) e de Creta (1209), lhe garantiu um comércio que se estendia ao Oriente, e alcançava a Síria e o Egito, pontos terminais do fluxo mercantil.

Como cidade comercial, tinha várias feitorias e controlava várias rotas comerciais no Levante. Eram suas feitorias cidades como Negroponto e Dirraquium, assim como ilhas inteiras: Creta, Rodes, Cefalônia e Zante, por exemplo. O historiador Fernand Braudel classificou-a como a primeira capital econômica do Capitalismo.

Nos séculos XIII e XIV a República de Veneza envolveu-se em guerras com Gênova, o seu principal rival a nível comercial. Em 1295, Pietro Gradenigo enviou uma frota de 68 navios para atacar uma frota genovesa em Alexandretta, e uma outra frota de 100 navios em 1299. De 1350 a 1381, Veneza combateu uma intermitente guerra com Gênova. Inicialmente derrotada, Veneza destruiu a frota genovesa na Batalha de Chioggia em 1380 e obteve uma proeminente posição no comércio do Mediterrâneo oriental à custa do declínio de Gênova.

Ao fim do século XIV, Veneza era a principal potência mercantil do Mediterrâneo e um dos estados mais ricos da Europa. Veneza controlava a totalidade do comércio entre o Ocidente e o Oriente. Ela era a porta que permitia à Europa se comunicar com a Ásia. A única porta entre os dois continentes.


A rede comercial e as possessões venezianas no Mediterrâneo oriental.

Expandindo seu domínio aos territórios circundantes, em torno de 1400 a República de Veneza era um Estado, cujos confins se estendiam além daqueles da antiga região romana, compreendendo parte da Lombardia, da Ístria, da Dalmácia, e vários territórios no ultramar.

Depois da queda de Bizâncio, os turcos otomanos tornaram-se num dos grandes rivais da atividade comercial de Veneza. A derrota dos otomanos em Gallipoli (1416) lhe abriu as portas do Mediterrâneo e o controle das ilhas de Creta e Chipre. Na mesma altura, para se defender da cobiça dos senhores de Milão, os venezianos voltaram ao continente, onde asseguraram o controle de cidades como Verona, Dine, Bréscia e Bérgamo, assegurando desta forma o domínio do Adriático.

Decadência

As invasões otomanas, iniciadas em meados do século XV, foram um dos fatores decisivos para que entrasse em declínio. Veneza via-se confrontada com ataques externos e de outros estados italianos, e com a perda de poder econômico na sequência da descoberta da via marítima para as Índias através do cabo da Boa Esperança por Vasco da Gama entre 1497 e 1498.

Veneza viu-se obrigada a sustentar uma luta esgotante contra os otomanos. Veneza sofreu uma importante derrota naval contra os otomanos em Chipre (1500). Mais tarde, na batalha de Lepanto as galeras venezianas foram fortemente castigadas, o que reduziu o poderio naval da cidade.

Em 1508, o Sacro Império Romano-Germânico, o Papa e a Espanha conjugaram esforços contra Veneza na Liga de Cambrai, e dividiram o território entre si. Veneza retomou os seus domínios italianos através de negociações. No entanto, nunca mais conseguiu retomar a sua pujança política, embora continuasse a ser um ponto de referência no panorama internacional.


A República de Veneza em 1796.

Ao fim do século XVIII, a República foi invadida por Napoleão Bonaparte. Por volta de 1796, a República de Veneza já não podia mais se defender, já que sua frota de guerra contava somente com 4 galés e 7 galiots.

Em 1797, com sua força militar já abalada, a cidade foi conquistada por Napoleão. Com a assinatura do tratado de Campofórmio, dividiu-se o seu território entre França e Império Habsburgo. As tropas francesas ocupavam o território veneziano acima do rio Ádige. Vicenza, Cadore e Friul eram mantidas pelos austríacos.

Em 1866, depois da Guerra das Sete Semanas, Veneza foi incorporada à Itália. Com o chegar do século XX Veneza industrializa-se ao mesmo tempo em que ganha reputação como destino turístico, descobrindo uma vocação até então desconhecida.

Fontes: Revista Morashá / Rotas & Destinos / Veneto House / G-sat.net / Wikipédia / Folha Online / Infopédia / Destinos de Viagem / Revista Mundo Estranho / Estadão.com.br

4 comentários:

Hana disse...

Eu achei seu blog encantador, mesmo pq sou professora de História, e aqui tem muita sabedoria, aqui te sigo, aqui te leio, aqui te persigo, rs.
com carinho
Hana

História além dos livros disse...

http://artigosdehistoria.blogspot.com/


visite!!!!!

LEANDRO disse...

Gostei de seu trabalho Valter, parabéns. Veneza é uma cidade maravilhosa seja pela história ou arquitetura.
Tenho um blog de História também sinta-se a vontade para visitar.

http://www.construindohistoriahoje.blogspot.com

Até mais,

Leandro CHH

daniele maria disse...

Amei seu blog. Está de parabéns. Sou química mas amo história e você sabe abordar lindamente. :)