quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Liga Hanseática

Do século XII ao começo da Guerra dos Trinta Anos, a Liga hanseática dominou consideravelmente o sistema econômico
da Europa e influenciou a vida de todas as cidades. O intenso comércio por todo o Mar Báltico e pelo interior levou as cidades
ao auge econômico





A Liga Hanseática foi uma aliança de cidades mercantis que estabeleceu e manteve um monopólio comercial sobre quase todo norte da Europa e Báltico, em fins da Idade Média e começo da Idade Moderna. Ela forneceu madeira, metais, peles, peixes e cereais a toda Europa.

A Liga Hanseática, ou Hansa, parece ter-se originado de duas antigas confederações agrupadas em torno das cidades de Colônia e Lübeck. Mais ou menos em meados do séc. XIV, os membros da Hansa compreendiam quase todas as cidades alemãs situadas ao longo dos mares do Norte e Báltico.

Antes de dominar todo o comércio pelo Mar do Norte e pelo Mar Báltico a Hansa era uma aliança informal de comerciantes que oferecia a seus associados maior proteção contra saqueadores e piratas e ajudava a concretizar os interesses que a comunidade tinha em comum.

A Hansa de Gotland

Nos finais do século XII e ínicios do século XIII foram criadas no norte da Alemanha e em redor do mar Báltico diversas cidades: Lübeck (em 1158), Rostock, Wismar, Stralsund, Szczecin, Gdańsk, Elbing. Dentro de todas essas vilas, a burguesia instalou-se rapidamente no poder.

Os mercadores dessas cidades tentaram imediatamente comercializar com Gotland, visto que Henrique, o Leão havia feito paz em 1161. Estes mercadores, procedentes de Lübeck, das vilas westfalianas e saxónicas elegiam quatro anciães (um por Visby, um por Lübeck, um por Soest e outro por Dortmund) que exerciam a justiça e representavam-nos no exterior. A atividade desses representantes estendeu-se rapidamente para além de Gotland, chegando até Novgorod --um verdadeiro ponto de encontro entre as civilizações orientais e ocidentais, onde criaram um estabelecimento próprio, o Peterhof. Estes mercadores penetraram também na Escandinávia (a feira de Escânia tornou-se num eixo central do comércio hanseático), na Inglaterra (onde eles foram oficialmente reunidos em 1281 numa única hansa da Alemanha) e nos Países Baixos (onde a condessa de Flandres, Margarida II, lhes concedeu privilégios fundamentais em 1252 e 1253.

É importante lembrar que foi nesta primeira associação embrionária que os privilégios e princípios fundamentais da Liga Hanseática foram aplicados.

Pode-se datar a passagem da Hansa dos mercadores a Hansa das cidades em 1280, quando uma operação contra Bruges foi organizada com o objetivo de proteger os privilégios adquiridos (seguida em 1284 do mesmo tipo de operação contra a Noruega).

A Hansa das cidades




Em 1141 ocorreu a associação -- a Hansa Teutônica -- entre as cidades de Hamburgo e Lübeck, que inspirou diversas outras associações de outras cidades. Essas associações eram destinadas à proteção dos comerciantes e a defender seus interesses. No apogeu a Hansa Teutônica contava com cerca de 90 cidades do mar do Norte e do mar Báltico, entre elas: Amsterdã, Bergen, Bordeaux, Bruges, Colônia, Cracóvia, Groningen, Hildesheim, Londres, Nantes, Novgorod, Praga, Reval, Riga, Rostock, Stralsund, Toruń, Varsóvia, Wismar.

A liga foi então dividida em 4 seções, presididas por Lübeck, Colônia, Brunswick e Dantzig. A Hansetag (assembléia geral das cidades que se reunia a cada 3 anos, em Lübeck) tinha apenas um papel consultivo, dado que a aplicação de suas decisões era deixada a cargo de cada cidade (que devia contudo fornecer sua contribuição militar e financeira à Hansa). Conseguiu a Hansa vitórias importantes frente ao reino da Noruega, e a seguir contra o reino da Dinamarca. Apesar disso permaneceu como uma associação política onde as cidades gozavam de grande autonomia. Esta estrutura seria desmontada pelo Tratado de Vestfália (1648), que define o conceito de Estado-nação.

Desenvolvimento

A Liga Hanseática promovia monopólios comerciais, conseguindo privilégios exclusivos na Escandinávia, nos Países Baixos, Rússia, Alemanha e Inglaterra. Suas atividades estavam baseadas principalmente numa rede de cidades na Alemanha e quatro grandes feitorias ou Kontore: o Tyskebrugge em Berger (madeira e peixes), o Peterhof em Novgorod (couros), o Steelyard em Londres (lã e tecidos) e as Assembléias em Bruges (tecidos). Este último foi o principal entreposto de armazenagem que unia os interesses do Mediterrâneo com os do Báltico e o Mar do Norte, até que a capacidade de seu porto foi excedida no fim do século XV.

No auge do seu desenvolvimento, nos séculos XIV e XV, a Liga Hanseática quase alcançou o poder e o prestígio dos grandes centros comerciais mediterrâneos de Veneza, e Gênova. Em contrapartida, enquanto os impérios comerciais dessas duas repúblicas marítimas procuravam expandir-se, a Liga Hanseática foi formada por empresas comerciais com bases sólidas, que se uniram para se protegerem e manterem um predomínio de mercado já existente.

Veneza e a liga Hanseática proporcionavam os laços marítimos entre o Mediterrâneo e a Europa Setentrional. As Galeras venezianas transportavam especiarias, seda, vinho e frutas; os depósitos hanseáticos mantinham o abastecimento de metais, peixes, têxteis e peles russas.

A liga não dispunha de uma constituição formal. Seu único corpo administrativo era um congresso formado por comerciantes das cidades associadas. Suas principais armas eram o boicote e o monopólio comerciais. Se uma cidade se recusava a entrar para a liga, seus comerciantes ficavam impossibilitados de vender seus produtos aos mercados lucrativos.

As vantagens de pertencer à Liga Hanseática eram várias: Os navios protegiam-se uns aos outros e lutavam contra a concorrência dos que fossem sócios. Na compra e venda de produtos davam preferência às cidades associadas e quase todas se equiparam de modo a terem portos bem apetrechados, armazéns disponíveis para as mercadorias e residências para comerciantes e marinheiros que necessitassem de apoio. Estabeleceram um regulamento geral para a navegação, para as trocas comerciais, para os pesos e medidas que deviam ser utilizados e também para a moeda.


Witten de prata.

Naturalmente, as várias cidades que pertenciam à Liga Hanseática tinham as suas moedas próprias. Mas a certa altura, para facilitar as trocas e evitar o trabalho e a despesa dos câmbios, resolveram cunhar uma moeda igual em várias cidades: o Witten de prata.

Cidades como Braunschweig, no Norte da Alemanha, localizada geograficamente numa posição estratégica, exatamente no centro e quase e eqüidistante de Frankfurt, Colônia, Leipzig, Hamburgo, Bremen e Nürnberg, logo tornou-se um ponto importantíssimo da Liga.

Através do comércio, a cidade enriqueceu-se. Na região haviam comerciantes exportadores para longas distâncias e fortes cooperativas de artesãos. As negociações comerciais eram feitas desde o Mar do Norte até o Mar Báltico, desde Brabante (região de Bruxelas) no lado oeste até a Rússia no lado leste. Entre outros produtos, eram comercializados cervejas, metais e cobre para lavabos, roupas e bolsas finas de couro; além disso, eram exportados artefatos de artilharia bem como outros materiais metalúrgicos.

O norte da Europa especializou-se em produtos marinhos, agrícolas, mineiros e florestais, muitos dos quais eram monopolizados pelos mercadores da Liga Hanseática. A Liga Hanseática dominou o comércio de peles com a Rússia, o comércio de peixe com a Noruega e a Suécia, e o comércio de lã com Flandres. Em 1370, o rei dinamarquês tentou acabar com o poder dela fechando o canal que leva ao Báltico. Uma esquadra hanseática tomou Copenhague e impôs um rígido tratado de paz à Dinamarca.

As rotas comerciais passavam pelo Báltico, pouco profundo; desde o Ocidente, pelo mar do Norte, até a Inglaterra; desde o Norte, ao largo da costa atlântica da Noruega, levando madeira, peixe e minerais; ou ao sul, ao golfo da Biscaia e costeando a Espanha e Portugal, para chegar ao Mediterrâneo e carregar sal, linho, seda e especiarias.


Embarque em porto medieval.

Em todos os casos havia um denominador comum: as mercadorias viajavam por mar. Por esse motivo, ainda que não houvesse nenhuma intenção de padronizar os navios das diferentes cidades, os filiados da Liga Hanseática estimularam os construtores a projetarem novos tipos e navios mercantes, que respondessem às exigências o tráfego em expansão e que estivessem na vanguarda do ponto de vista tecnológico.

A Coca Hanseática

A partir do momento em que as rotas comerciais levam os navios mercantes cada vez mais longe, era inevitável que se procurasse construir uma embarcação adequada para navegar com segurança diante de qualquer situação atmosférica, que fosse forte e suficientemente grande para satisfazer as exigências de uma maior capacidade de carga.

O novo tipo de navio mercante ficou conhecido pelo nome de "coca hanseática". Em vez de ser governada com um ou dois remos, como as embarcações anteriores, a coca tinha um leme a estibordo da popa. Para dizer a verdade, é impossível estabelecer a data precisa dessa modificação técnica, visto que o testemunho mais confiável provém das marcas deixadas com o passar dos anos nos brasões das grandes cidades: o de Dover, possivelmente de 1284, mostra um navio que ainda utiliza esparrela, enquanto uma escultura (que parece ter menos de cem anos) numa gárgula da catedral de Winchester, uma cidade da Inglaterra meridional, situada a cerca de 30 km do mar, mostra claramente o leme e a cana. De qualquer forma, o certo é que em meados do século XIV o leme era de uso comum, uma vez que aparece tanto nos brasões das cidades da Liga Hanseática como em moedas e pinturas murais. Além disso, por meio das moedas e brasões conhecem-se outros detalhes da coca hanseática; em muito casos caracterizava-se pela proa reta, em vez da típica curvatura das anteriores embarcações nórdicas, e por uma linha também reta para o cadaste, ao qual estava fixado o leme. O cadaste, anteriormente prolongado por uma curta verga em que se podia fixar um estai, e mais tarde por um pequeno castelo que servia como de combate e de observação tinha cerca de 30º de inclinação em relação à vertical, um valor notável para o que era comum naquela época.

A roda e o cadaste estavam solidamente fixados a uma quilha pronunciada e que sobressaia muito (mais comprida que a das embarcações com proa e popa curvadas), o que permitia que o navio se "agarrasse" muito bem na água mesmo com o mar agitado. A quilha, comprida e direita, tinha sido estudada com toda a probabilidade para se adaptar as condições meteorológicas das costas da Europa setentrional, geralmente muito ruins. Como uma vela de pendão tornaria a embarcação muito difícil de manobrar e de lenta resposta ao leme, devia ser usada uma só vela redonda, que se orientava com vergas, mesmo com vento de alheta.


Réplica da coca hanseática da segunda metade do
século 14, descoberta em 1962 no porto de Bremen.

Era impossível determinar as dimensões exatas da coca hanseática com base nos brasões das cidades mas, graças aos documentos das cargas e ao descobrimento dos restos de uma coca de 1380 (afundados no rio Wesser, em Bremen), foi possível determinar que tinha um comprimento de fora a fora de uns 30 m, uma boca de cerca de 8 m e um calado com aproximadamente 3 m; essas dimensões fazem pensar que seu deslocamento rondava as 280 toneladas.

A única vela devia ter uma superfície de cerca de 150 m2 e, provavelmente, era feita com tela pesada amarelada (essa cor resultava de uma solução preparada com cortiça, utilizada para impedir que o velame se deteriorasse). Quanto à estrutura, não há dúvida de que os construtores nórdicos utilizavam o sistema de trincar (o bordo inferior de cada tábua ficava sobre o bordo superior da que estava em baixo) para o forro do casco, enquanto no local onde os costados se uniam à quilha optaram pelo método de construção de juntas planas (com os bordos das tábuas uns contra os outros e tapando a união com estopa embebida em alcatrão, que impedia a entrada de água). As tábuas eram de carvalho e, especialmente para as superiores, muito grossas (50 cm e às vezes mais).

Decadência

O monopólio comercial no norte da Europa vinha despertando havia algum tempo a inveja dos reinos europeus, e os comerciantes ingleses, cuja influência política estava ganhando certo peso, pressionaram o governo para tomar medidas drásticas.

Assim, a Inglaterra anulou os privilégios de que a Liga Hanseática gozava, e o mesmo foi feito na Holanda e em Bergen, na Noruega. Lentamente, a Liga ficou reduzida a poucos membros fundadores, entre os quais reinava o desacordo, e no fim do século XVII o seu poderio comercial não passava de uma recordação. Por volta de 1670, a Liga Hanseática contava apenas com três cidades: Bremen, Hamburgo e Lübeck.

Uma das maiores contribuições deixadas pela Liga foi o sistema de leis marítimas e comerciais por ela desenvolvido.

Fontes: Klick Educação / Vorpommern / Wikipédia / Centro Cultural Banco do Brasil / www.cceseb.ipbeja.pt / Blog Matelassê / Artimanha.com

2 comentários:

Instituto de Pesquisa Histórica Regional disse...

Caro blogueiro, o convidamos para participar do 2º Concurso de Blog's do IPHR, seão mais premiados em diferentes categorias. O resultado 2010 encontra-se em nossa página. Para saber mais acesse: http://concursosiphr.blogspot.com/

Karina Soares disse...

Otimo blog, adorei (: