sexta-feira, 11 de março de 2011

João Vaz Corte Real: Navegador e Donatário

João Vaz Corte Real foi um navegador português do século XV ligado ao descobrimento da Terra Nova, cerca do ano de 1472. Foi considerado o primeiro europeu a chegar à costa Americana, pelo menos, mais de vinte anos antes de Cristóvão Colombo




Corte Real

Navegador do século XV, desconhece-se a sua data de nascimento. Pertencia a família Corte Real, família de algum prestígio na sociedade portuguesa; filho de Vasco Anes Corte Real e irmão de Fernão Vaz Corte Real, era oriundo da cidade de Tavira, na província de Algarve, Portugal.

Vasco Annes Corte Real, foi Porteiro Mor do Infante D. Fernando, Duque de Viseu e de Beja, irmão do Rei D.Afonso V, pai Del Rei D. Manoel I. Casou com D. Maria Abarca, filha de Pedro Abarca, fidalgo de Tuy, de quem teve seis filhos, seus dignos continuadores. Os Corte Reais até João Vaz Corte Real tinham-se notabilizado como cavaleiros e guerreiros. Premiando seus feitos como guerreiros, segundo Gaspar Frutuoso, escritor antigo do séc. XVI, “ el-rei de Portugal lhe deu aposento e vivenda no Algarve, a este João Vaz Corte Real e a seu filho Vasqueanes Corte Real, por serem muito bons cavaleiros, pêra poder sustentar aquele reino do Algarve, que era muito perigoso e dificultoso, por causa dos belicosos mouros que nele moravam”.

Foi com João Vaz Corte Real, que os Corte Reais se voltaram para o mar e iniciaram no século XV as suas viagens para ocidente em buscas de novas terras. Estas audaciosas explorações marítimas de então, só terão paralelo nas atuais viagens interplanetárias, não esquecendo todavia, que os navegadores de quinhentos, não dispunham dos conhecimentos técnicos e científicos de que usufruem os atuais astronautas.

Descoberta de Terra Nova e outras expedições

João foi Porteiro-mor da casa do infante D. Fernando (irmão do rei D. Afonso V), participou em 1461 na expedição que defendeu a praça norte-africana de Alcácer Ceguer.

João Vaz Corte Real fez as primeiras viagens à Terra Nova e Nova Escócia, por volta de 1472. Para além destas expedições, Corte-Real organizou ainda outras viagens que o terão levado até à costa da América do Norte, explorando desde as margens do Rio Hudson e São Lourenço até ao Canadá e Península do Labrador.

Terra Nova foi descoberta em 1471 ou 1472 por João Vaz Corte Real e Álvaro Martins Homem, numa expedição conjunta Luso-Dinamarquesa efetuada a pedido de D. Afonso V. A hipótese é levantada a partir de uma carta enviada a Clemente III da Dinamarca em 1551 (onde se fala de uma iniciativa das duas coroas para explorar o Atlântico Norte nas datas referenciadas) e de uma referência de Gaspar Frutuoso, na sua obra Saudades da Terra (1590), onde diz: “E vindo João Vaz Corte Real do descobrimento da Terra Nova dos Bacalhaus, que por mandado de el-rei, foi fazer, lhe foi dada a capitania d’Angra”.

O historiador dinamarquês Sophus Larsen, em seu livro "A Descoberta da América do Norte, vinte anos antes de Colombo" (1925) apresentou provas de que João Vaz Corte Real fez uma viagem de descoberta (1472) à Gronelândia e Terra Nova, com dois pilotos dinamarquês chamados Pining e Pothorst. João teria participado, como navegador experiente, desta expedição organizada por Cristiano I da Dinamarca à Gronelândia, embora alguns questionem a realização deste empreendimento.

Apesar de polêmicas dificilmente resolvidas no estado atual dos conhecimentos, diversos historiadores consideram que teria feito duas viagens à Terra Nova (ou a qualquer zona próxima da Gronelândia) e América do Norte, atingindo aquela região antes de 1472, conforme as descrições aduzidas cerca de cem anos depois por Gaspar Frutuoso nas Saudades da Terra.

Hoje aceita-se que João Vaz Corte-Real possa ser considerado como o primeiro europeu que chegou à costa Americana, pelo menos, mais de vinte anos antes de Cristóvão Colombo.

Donatário

No regresso das suas audaciosas explorações marítimas para ocidente e descoberta de novas terras, feitas com certo secretismo, para evitar a cobiça e concorrência de outros reinos, mormente de Castela, João Vaz Corte Real recebeu a Carta de Doação Da Infanta D. Beatriz datada de 2 de Abril de 1474, e estabeleceu a sua residência na Ilha Terceira no Paço ou Castelo dos Moinhos, em Angra. Mais tarde, precisamente em 4 de Maio de 1483, foi nomeado por carta Del Rei D. João III, dada em Moura, Donatário da Ilha de São Jorge. Ainda por mercê de D. João III, concedida por carta enviada de Évora, a 19 de Maio de 1495, teve as Alcaidarias Mores do Castelo de S. Luiz de Angra, e do da Ilha de São Jorge.

João Vaz Corte Real e sua mulher D. Maria Abarca, acompanhados de grande comitiva, desembarcaram em Angra no ano de 1474. O seu grande prestígio atraiu à Ilha Terceira muitos fidalgos, que vieram do Reino, da Ilha da Madeira, e ainda de países estrangeiros. A estes, João Vaz Corte Real deu terras de sesmarias, promovendo assim o progresso da agricultura e povoando os Açores. Na qualidade de Donatário promoveu o delineamento urbano, evidenciando uma larga e consciente visão do futuro de Angra, cujas ruas ainda hoje mantêm no essencial esse admirável traçado primitivo. Mandou construir, sob a direção do engenheiro Pedro Nunes Rebelo, no cimo do outeiro mais alto que domina, a enseada de Angra, o Castelo de S. Cristóvão ou de S. Luís, então vulgarmente conhecido por Castelo dos Moinhos, por terem sido construídas, naquela zona, várias moendas, logo no início do povoamento da Ilha Terceira.

Estas doações são vistas por aqueles que o consideram um dos pioneiros da exploração do Novo Mundo como uma recompensa pelos feitos que realizou.

João Vaz Corte Real teve 7 filhos com Maria Abarca: Vasco Anes Corte-Real, Miguel Corte-Real, Gaspar Corte-Real, Joana Vaz Côrte-Real, Iria Côrte-Real, Iria Côrte-Real, Lourenço Vaz Corte-Real e Isabel Corte-Real.

João Vaz Corte Real viria a morrer em 2 de julho de 1496. Os seus três filhos, todos navegadores audaciosos, Gaspar Corte-Real, Miguel Corte-Real e Vasco Anes Corte-Real, continuaram o espírito de aventura de seu pai tendo os dois primeiros desaparecido depois de expedições marítimas, em 1501 e 1502 respectivamente. Vasco Anes quis ir em busca de seus irmãos mas o Rei não lhe concedeu autorização, tendo sucedido a seu pai como Capitão-Donatário.

Fontes: Infopédia / www.ruipmartins.tripod.com / Instituto Camões.pt / Archive.org / Wikipédia / www.dightonrock.com / Sealegacy.com

2 comentários:

Rosangela Moura disse...

Boa noite! Estou seguindo o seu blog, e queria te convidar a visitar o http://mulheresnopeniel.blogspot.com
Deus te abençoe!

sheila Côrte-Real disse...

Já tinha lido uma parte dos seus comentários numa enciclopédia a alguns anos atrás, todavia perdi os dados e a localização. Fiquei feliz em encontrá-los novamente.
Boa sorte !!
Edilton W. Côrte-Real